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Economia de energia

Economia de energia em casa: quanto gasta cada aparelho, selo Procel, bandeiras e tarifa branca

O chuveiro elétrico sozinho pode passar de R$ 70 por mês, e a geladeira de duas portas fica perto de R$ 40. Veja a conta de cada aparelho com a tarifa média do país e o que de fato baixa a fatura.

Por Redação EcoamazoniaAtualizado em 8 min de leitura

Mão lendo a etiqueta de eficiência energética do Inmetro na porta de uma geladeira

Para saber quanto um aparelho gasta, multiplique a potência em watts pelas horas de uso por dia e pelos dias do mês, e divida por 1.000: o resultado é o consumo em kWh. Multiplique pela tarifa e você tem o custo. Com a tarifa residencial mediana das distribuidoras, de R$ 0,81 por kWh sem impostos (dados da ANEEL usados no simulador do site, outubro de 2026), o chuveiro elétrico de 5.500 W, usado 32 minutos por dia pela família, gasta 88 kWh por mês, ou cerca de R$ 71,50. A geladeira de duas portas fica em 48 kWh, perto de R$ 39. Ferro e bomba d'água, que assustam pela potência, gastam pouco porque ficam pouco tempo ligados. O que mais pesa é o que esquenta água ou ar por muito tempo.

Como calcular o consumo de um aparelho?

A fórmula é a mesma que o CRESESB e o Procel usam:

kWh por mês = potência (W) × horas de uso por dia × dias de uso no mês ÷ 1.000

Exemplo: um chuveiro de 5.500 W ligado 30 minutos (0,5 h) por dia, 30 dias: 5.500 × 0,5 × 30 ÷ 1.000 = 82,5 kWh. A potência está na etiqueta ou no manual. Há uma exceção importante: geladeira, freezer e ar-condicionado têm compressor controlado por termostato, que liga e desliga sozinho. Para eles, a conta pela potência erra feio, e o CRESESB recomenda usar o consumo declarado pelo fabricante, que está na etiqueta do Inmetro em kWh por mês ou por ano.

Na sua fatura, o kWh sai mais caro do que os R$ 0,81 da conta acima, porque ainda entram ICMS, PIS/Cofins, iluminação pública e, conforme o mês, a bandeira tarifária. Use o valor da sua conta, dividindo o total pelos kWh consumidos, para ter o custo real.

Quanto gasta cada aparelho em kWh e em reais?

A tabela usa as estimativas de consumo médio sugeridas pelo Procel e reproduzidas no manual do CRESESB, com os hábitos de uso indicados. O custo é a R$ 0,8126 por kWh, sem impostos.

Consumo mensal estimado por aparelho (Procel) e custo a R$ 0,81/kWh sem impostos
AparelhoPotênciaUso consideradokWh/mêsR$/mês
Chuveiro elétrico 5.500 W5.867 W máx.32 min/dia, 30 dias8871,51
Chuveiro elétrico 4.500 W4.500 W32 min/dia, 30 dias7258,51
Geladeira 2 portas67 W médio24 h48,239,20
Freezer66 W médio24 h47,638,64
Geladeira 1 porta35 W médio24 h25,220,48
Ventilador de teto73 W8 h/dia17,514,24
Micro-ondas 25 L1.400 W20 min/dia1411,38
TV LED 40"83 W5 h/dia12,510,12
Ferro a vapor1.200 W1 h, 12 dias7,25,85
Bomba d'água 1/2 cv480 W30 min/dia7,25,85
Bomba d'água 1/3 cv410 W30 min/dia6,25,00
Ferro a seco1.050 W1 h, 12 dias2,41,95

E o ar-condicionado? Ele não está na tabela do Procel, e o consumo depende muito do modelo. A etiqueta do Inmetro informa o consumo anual calculado para 2.080 horas de uso. Num levantamento do Canaltech de março de 2026 com modelos split inverter de 9.000 BTU, a etiqueta ia de 263 a 397 kWh por ano, ou de 0,126 a 0,191 kWh por hora de uso. Ligado 8 horas por noite, 30 noites, dá de 30 a 46 kWh por mês, de R$ 25 a R$ 37 à tarifa acima. É uma média de etiqueta: em quarto mal vedado, com sol na parede e calor de 35 °C, o compressor trabalha mais e o gasto sobe. Aparelho antigo de janela, sem inverter, costuma gastar bem mais.

88 kWhchuveiro de 5.500 W por mês (Procel)
48 kWhgeladeira de 2 portas por mês
7,2 kWhbomba d'água de 1/2 cv, 30 min por dia
30 a 46 kWhar de 9.000 BTU inverter, 8 h por noite

O que o Selo Procel e a etiqueta do Inmetro dizem?

São duas coisas diferentes que aparecem juntas na loja:

  • Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), do Inmetro, é a etiqueta colorida com a escala de letras. Ela faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e mostra a classe de eficiência e o consumo de energia do modelo. Pela página do Inmetro, as tabelas do PBE reúnem todos os produtos aprovados e autorizados a usar a ENCE, em categorias como refrigeradores, condicionadores de ar, lavadoras de roupa, micro-ondas, lâmpadas, ventiladores, televisores, bombas centrífugas, aquecimento solar e sistemas fotovoltaicos. Você pode consultar o consumo de qualquer modelo antes de comprar.
  • Selo Procel de Economia de Energia, criado em dezembro de 1993, é um reconhecimento dado aos modelos mais eficientes de cada categoria, depois de ensaios em laboratório. O Procel é um programa do governo federal coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, com a ENBPar como secretaria executiva desde julho de 2023.

Na prática: a etiqueta compara todos os modelos; o selo destaca os melhores. O número que mais importa na etiqueta não é a letra, e sim o consumo em kWh. Duas geladeiras classe A de tamanhos diferentes gastam quantidades diferentes, e a maior pode custar mais por mês mesmo com a mesma letra. Compare kWh por mês ou por ano entre modelos do mesmo tamanho e multiplique pela sua tarifa: em 10 anos de uso, 10 kWh por mês de diferença viram cerca de R$ 975 à tarifa sem impostos.

Bandeira tarifária: quanto aumenta a conta?

A bandeira é definida mês a mês pela ANEEL conforme as condições de geração de energia, e aparece na fatura. Os acréscimos informados pela ANEEL são:

Bandeiras tarifárias (ANEEL) e o efeito numa conta de 200 kWh
BandeiraAcréscimo por kWhPor 100 kWhNuma conta de 200 kWh
VerdeNenhumR$ 0R$ 0
AmarelaR$ 0,01885R$ 1,885R$ 3,77
Vermelha patamar 1R$ 0,04463R$ 4,463R$ 8,93
Vermelha patamar 2R$ 0,07877R$ 7,877R$ 15,75

A bandeira vale para todos os consumidores das distribuidoras, exceto os atendidos por sistemas isolados, situação de várias localidades da Amazônia que não estão ligadas ao Sistema Interligado Nacional. Você não tem como fugir da bandeira, mas ela deixa claro o valor de cada kWh economizado nos meses vermelhos: quem corta 50 kWh na bandeira vermelha 2 economiza a tarifa mais quase R$ 4 só de bandeira.

Tarifa branca vale a pena?

A tarifa branca é uma opção para consumidores de baixa tensão, inclusive residenciais (B1) e rurais (B2), em que o preço do kWh muda com o horário. Em dias úteis há três postos: ponta (o mais caro), intermediário (nas horas vizinhas à ponta) e fora de ponta, mais barato que a tarifa convencional. Nos fins de semana e feriados nacionais, vale o dia todo a tarifa fora de ponta. Não podem aderir as famílias da subclasse baixa renda com Tarifa Social nem a iluminação pública. Pela ANEEL, a distribuidora tem até 30 dias para trocar o medidor depois do pedido. Os horários de cada posto são fixados por distribuidora.

Veja a conta com as tarifas da Amazonas Energia, sem impostos, vigentes desde maio de 2026: convencional R$ 0,8757; fora de ponta R$ 0,7617; intermediário R$ 1,0158; ponta R$ 1,534. Numa casa de 200 kWh por mês:

Tarifa branca x convencional numa casa de 200 kWh/mês (Amazonas Energia, sem impostos)
PerfilDivisão do consumoTarifa brancaConvencional
Banho e jantar na ponta70% fora, 10% intermediário, 20% pontaR$ 188,32R$ 175,14
Chuveiro e ferro fora da ponta90% fora, 5% intermediário, 5% pontaR$ 162,61R$ 175,14

Ou seja: sem mudar hábito, a tarifa branca pode deixar a conta mais cara. Ela compensa quando o banho, o ferro e a máquina de lavar saem do começo da noite, e quando boa parte do consumo cai no fim de semana. Antes de aderir, olhe na fatura os horários de ponta da sua distribuidora e simule com o seu consumo real.

O que dá para fazer hoje para gastar menos?

  1. Encurte o banho e use a posição verão. No chuveiro, cada minuto conta: na tabela do Procel, a família gasta 88 kWh em 32 minutos diários. A posição verão usa bem menos potência que a inverno.
  2. Cuide da geladeira. Longe do fogão e do sol, com espaço atrás para ventilar, borracha da porta vedando e sem deixar a porta aberta. Descongele quando a camada de gelo engrossar.
  3. Ar-condicionado na temperatura certa. Feche portas e janelas, use cortina no lado do sol e limpe o filtro. Cada grau mais frio faz o compressor trabalhar mais.
  4. Junte a roupa para passar. O ferro gasta mais para esquentar; passe tudo de uma vez.
  5. Bomba d'água sem vazamento. Uma bomba ligando de madrugada sem ninguém usar água é sinal de vazamento ou de boia com defeito. O teste do hidrômetro do guia de economia de água resolve.
  6. Troque lâmpadas antigas por LED e desligue aparelhos em espera que ficam o dia todo ligados sem uso.

Quando o aquecedor solar e a energia solar entram na conta?

Pela tabela, o chuveiro é o aparelho que mais pesa, e é também o que o sol substitui com mais facilidade. Um aquecedor solar aquece a água no telhado e deixa o chuveiro elétrico só como reserva nos dias nublados. É o primeiro investimento a avaliar numa casa que ainda toma banho no chuveiro elétrico. Calcule o tamanho do reservatório e dos coletores:

Depois do chuveiro resolvido, a energia solar ligada à rede gera eletricidade para o resto da casa e compensa a conta pelas regras da Lei 14.300. A ordem que costuma dar mais retorno é: primeiro cortar desperdício (que não custa nada), depois trocar aparelhos velhos, depois aquecedor solar, e por fim as placas, já dimensionadas para o consumo menor. Simule a sua conta:

Se a casa fica num sítio sem rede, os mesmos números servem para dimensionar um sistema off-grid, onde cada kWh economizado reduz placa e bateria.

Perguntas frequentes

Qual aparelho gasta mais energia em casa?

Na maioria das casas, o chuveiro elétrico: 88 kWh por mês para um modelo de 5.500 W na estimativa do Procel. Em casas com ar-condicionado ligado muitas horas, o ar pode ficar à frente.

Geladeira desligada à noite economiza?

Não compensa. Ela volta a gastar para resfriar tudo de novo e coloca a comida em risco. Economiza mais vedação boa, local ventilado e porta aberta pouco tempo.

Selo Procel e etiqueta do Inmetro são a mesma coisa?

Não. A etiqueta do Inmetro (ENCE) classifica todos os modelos e informa o consumo; o Selo Procel destaca os mais eficientes de cada categoria.

Quanto a bandeira vermelha aumenta a conta?

No patamar 2, R$ 7,877 a cada 100 kWh, segundo a ANEEL. Numa conta de 200 kWh, são cerca de R$ 15,75 a mais, antes dos impostos.

Quem pode aderir à tarifa branca?

Consumidores de baixa tensão, como residências e propriedades rurais, exceto a baixa renda com Tarifa Social e a iluminação pública. O pedido é feito na distribuidora.

Fontes e normas

  1. CRESESB/CEPEL, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), tabelas 6.2 e 6.3 com estimativas do Procel
  2. ANEEL, Bandeiras tarifárias
  3. ANEEL, Tarifa branca
  4. Inmetro, tabelas de eficiência energética do Programa Brasileiro de Etiquetagem
  5. Ministério de Minas e Energia, Procel
  6. Canaltech, o que é e para que serve o Selo Procel, jun. 2022
  7. Canaltech, ar-condicionado de 9.000 BTU mais econômico em 2026