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Energia solar em casa

Energia solar em casa: o passo a passo da conta de luz à homologação, kit ou instalador

Energia solar ligada à rede não tem bateria: a rede guarda o que sobra e devolve em créditos. O caminho tem sete passos, da conta de luz à troca do medidor, e prazos que a ANEEL obriga a distribuidora a cumprir.

Por Redação EcoamazoniaAtualizado em 9 min de leitura

Instalador fixando placas solares no telhado de uma casa, com o inversor na parede da garagem

Para ter energia solar em casa, o caminho tem sete passos: 1) some o consumo dos últimos 12 meses na conta de luz; 2) veja se o telhado tem sol sem sombra, de preferência voltado para o norte; 3) calcule o tamanho do sistema, em kWp, descontando a taxa mínima que você paga de qualquer jeito; 4) peça pelo menos três orçamentos com marca, modelo e registro do Inmetro de placas e inversor; 5) o instalador pede a conexão à distribuidora, que tem 15 dias para responder quando não há obra na rede; 6) instalação, vistoria e troca do medidor, que a distribuidora faz em até 5 dias úteis e paga; 7) a partir daí, o que sobra de dia vira crédito que vale 60 meses. O sistema ligado à rede, chamado on-grid, não tem bateria nem controlador de carga: a rede faz o papel de bateria. Bateria e controlador só entram no sistema off-grid, em lugar sem rede. No 1º trimestre de 2026, o preço médio residencial ficou em R$ 2,45 por Wp.

30/50/100 kWhcusto de disponibilidade mono, bi e trifásico
R$ 2,45/Wppreço médio residencial no 1º tri de 2026
15 diasprazo do orçamento de conexão sem obra
60 mesesvalidade dos créditos de energia

Passo 1: como ler a conta de luz para dimensionar?

Na conta, procure o histórico de consumo em kWh dos últimos 12 meses (quase toda distribuidora imprime um gráfico de barras) e o tipo de ligação: monofásica, bifásica ou trifásica. Some os 12 meses e divida por 12. Use a média do ano, não o mês mais caro, porque o crédito do verão cobre o inverno.

O tipo de ligação importa porque define o custo de disponibilidade, que a ANEEL manda cobrar mesmo quando a casa gera mais do que consome: o equivalente a 30 kWh na monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica. Gerar esses kWh não reduz a conta, então eles saem do dimensionamento. Uma casa trifásica que consome 250 kWh só precisa gerar 150.

Se você vai trocar o chuveiro elétrico por aquecedor solar, comprar ar-condicionado ou carro elétrico, faça isso antes ou some ao consumo. O chuveiro de uma casa de 4 pessoas gasta perto de 88 kWh por mês; tirar esse consumo com aquecedor solar costuma custar menos que gerar com placas.

Passo 2: o telhado serve para energia solar?

  • Orientação: no Brasil, a face voltada para o norte rende mais. Leste e oeste funcionam com perda moderada; sul, só em último caso.
  • Sombra: caixa d'água, árvore, prédio vizinho e antena projetam sombra que muda com a estação. Uma placa sombreada pode derrubar a produção de uma fileira inteira, conforme o tipo de inversor.
  • Área: no exemplo do nosso simulador, 6 placas de 550 W ocupam 15,6 m², cerca de 2,6 m² por placa.
  • Estrutura: telha quebrada, madeira com cupim ou laje com infiltração se resolvem antes, não depois. Tirar as placas para consertar o telhado custa caro.

Passo 3: de quantos kWp eu preciso?

A conta é: kWp = (consumo mensal − custo de disponibilidade) ÷ (horas de sol pleno × 30 × 0,8). As horas de sol pleno vêm do SunData do CRESESB, que dá a irradiação média de cada mês para qualquer coordenada do Brasil. O 0,8 desconta perdas de calor, sujeira, cabos e inversor. Na prática, cada 1 kWp gera de 104 kWh por mês em Manaus a 137 kWh em Fortaleza, como mostramos no pilar de energia solar.

Exemplo: casa bifásica em São Paulo com média de 400 kWh. Desconte 50: sobram 350 kWh. Com 4,64 horas de sol: 350 ÷ (4,64 × 30 × 0,8) = 3,1 kWp, ou 6 placas de 550 W (3,3 kWp). Ao preço médio de R$ 2,45 por Wp, perto de R$ 8.100; com os custos fixos de um sistema pequeno, os orçamentos costumam vir acima disso. O simulador abaixo faz a conta com a tarifa da sua distribuidora e o Fio B de 2026:

A Resolução Normativa nº 1.000/2021 da ANEEL limita a potência da geração à potência disponibilizada para a sua unidade consumidora (art. 31). Se o sistema que você quer é maior que o padrão de entrada, o instalador pede aumento de potência junto com a conexão. A microgeração vai até 75 kW, muito acima de qualquer casa.

Passo 4: como pedir orçamento de energia solar?

Peça pelo menos três, com a mesma conta de luz e as mesmas fotos do telhado. Um orçamento sério traz por escrito:

  • marca, modelo e quantidade das placas e do inversor, com o número de registro no Inmetro (a Portaria Inmetro nº 140/2022 regula os equipamentos de geração, condicionamento e armazenamento de energia em sistemas fotovoltaicos);
  • a geração estimada mês a mês, em kWh, e a premissa de horas de sol usada;
  • o que está incluído: projeto, ART do engenheiro responsável, pedido de conexão, estrutura de fixação, cabos, proteção (string box ou equivalente) e frete;
  • as garantias separadas: do produto das placas, de desempenho das placas, do inversor e da instalação;
  • quem resolve se a distribuidora reprovar a vistoria.

Compare o preço por Wp: divida o total pela potência em Wp. Muito abaixo de R$ 2,45, desconfie do que ficou de fora; muito acima, pergunte por quê. A média varia por estado: no Radar Solfácil do 1º trimestre de 2026, o Acre teve o menor valor, R$ 2,08 por Wp. Se o pagamento for financiado, compare a parcela com a economia mensal estimada; os números de retorno estão em energia solar vale a pena.

Passo 5: como funciona a homologação na distribuidora?

A homologação é o pedido de conexão da sua geração à rede. Quem faz, na prática, é o instalador, mas os prazos são seus por direito:

  1. Solicitação. O pedido segue o formulário padronizado da ANEEL, com as informações da microgeração. A distribuidora não pode pedir documentos além dos indicados nos formulários e na resolução. Entra também o documento do responsável técnico no conselho profissional, quando exigido.
  2. Orçamento de conexão. A distribuidora tem 15 dias para entregar, de graça, o orçamento de conexão quando não há obra na rede, e 30 dias quando há (art. 64 da REN 1.000).
  3. Instalação. Com o orçamento aprovado, o instalador monta o sistema.
  4. Vistoria e medidor. Em ligação de baixa tensão, abaixo de 2,3 kV, que é o caso das casas, a distribuidora tem até 5 dias úteis para vistoriar e instalar a medição (art. 91).
  5. Medidor bidirecional. Pelo art. 228, a distribuidora instala e arca com o medidor. Só na minigeração (acima de 75 kW) o consumidor paga a diferença de custo do sistema de medição.

Passo 6: o que muda na conta depois da energia solar?

De dia, a casa consome direto das placas; o que sobra vai para a rede e vira crédito em kWh. À noite, você usa a rede e o crédito abate. A Lei nº 14.300/2022 dá validade de 60 meses aos créditos, e os mais antigos são usados primeiro. A conta passa a ter o custo de disponibilidade e, para quem pediu conexão depois de 7 de janeiro de 2023, uma parte do Fio B sobre a energia compensada: 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. O detalhe e os valores por distribuidora estão em Lei 14.300 e Fio B.

Kit de energia solar ou instalador: qual escolher?

Kit é o conjunto de placas, inversor, estrutura e cabos vendido em caixa, sem a mão de obra. Ele costuma sair mais barato por Wp. Mas a homologação exige projeto e responsável técnico habilitado, e o serviço envolve trabalho em altura e corrente contínua de algumas centenas de volts, que não desliga enquanto há sol. Os caminhos que funcionam:

  • Instalador completo (integrador): projeto, equipamento, instalação e homologação num contrato. Mais simples, uma garantia só para cobrar.
  • Kit comprado por você + instalador contratado: pode economizar, desde que o instalador aceite o equipamento, assine o projeto e a ART e responda pela instalação. Combine isso antes de comprar o kit.
  • Kit instalado por conta própria: não recomendamos. Sem responsável técnico, não há homologação, e sem homologação o sistema não pode ser ligado à rede.

Quando entram controlador de carga e bateria?

Só no sistema off-grid, isolado da rede: sítio sem poste, casa de pesca, bomba ou portão longe de tudo. Nele, as placas carregam uma bateria por meio de um controlador de carga, que impede sobrecarga e descarga excessiva, e um inversor transforma os 12 ou 24 V da bateria em 127 ou 220 V. No sistema on-grid, ligado à rede, nada disso entra: o inversor de rede injeta a energia direto na casa e o que sobra vai para a distribuidora.

Um controlador MPPT, como o EPEVER Tracer4210AN G3, aceita painel com tensão de circuito aberto de até 100 V e carrega até 40 A, o que dá 520 W de placas num banco de 12 V ou 1.040 W em 24 V, com perfis prontos para chumbo-ácido e LiFePO4. Ele é IP30: só em ambiente interno, seco e abrigado. A bateria estacionária Moura Solar 12MS111 tem 12 V e 105 Ah em C20, ou cerca de 1,26 kWh nominais, em chumbo-carbono feito para ciclos diários. Como toda chumbo-ácido, ela dura mais com descargas rasas: o gráfico do fabricante marca perto de 20% de profundidade de descarga como faixa ideal.

Exemplo de sítio: quatro lâmpadas LED de 9 W por 5 horas (180 Wh) e uma TV de 60 W por 3 horas (180 Wh) somam 360 Wh por dia. Para descarregar só uns 20% por dia, o banco precisa de cerca de 1.800 Wh, ou duas baterias de 12 V e 105 Ah. O controlador de 40 A sobra para isso. Geladeira e bomba d'água mudam a conta inteira; o dimensionamento completo está em off-grid, e para tirar água de poço sem bateria nenhuma, veja bomba solar.

Comparativo lado a lado
ItemEPEVER Tracer4210AN G3Moura Solar 12MS111
Tensão nominal da bateria12/24 Vcc (reconhecimento automático; com lítio não reconhece automaticamente)—
Corrente nominal de carga40 A—
Corrente nominal de descarga (saída de carga)40 A—
Faixa de tensão de trabalho do controlador8 a 31 V—
Tensão máxima de circuito aberto do painel (Voc)100 V (na menor temperatura ambiente de operação); 92 V (a 25 °C)—
Faixa de tensão MPPT(tensão da bateria + 2 V) a 72 V—
Nota da análise6,6/107,5/10
PreçoR$ 911R$ 1.059
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Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para instalar energia solar em casa?

A montagem de um sistema residencial costuma levar poucos dias. O que demora é a homologação: até 15 dias para o orçamento de conexão sem obra e até 5 dias úteis para a vistoria e o medidor, contados das etapas anteriores.

Energia solar em casa precisa de bateria?

Não, no sistema ligado à rede. A rede guarda o excedente como crédito de energia válido por 60 meses. Bateria só no off-grid.

Quem paga o medidor novo da energia solar?

Na microgeração, a distribuidora, pelo art. 228 da REN 1.000/2021. O consumidor só paga a adequação da medição na minigeração, acima de 75 kW.

Posso instalar um kit de energia solar sozinho?

Montar, até pode, mas a homologação exige projeto e responsável técnico habilitado. Sem homologação, o sistema não pode ser conectado à rede.

Quantas placas solares para uma conta de 400 kWh?

Em São Paulo, numa ligação bifásica, cerca de 3,1 kWp, ou 6 placas de 550 W. Em cidades com mais sol, menos placas.

Os produtos deste guia

Fontes e normas

  1. ANEEL, REN nº 1.000/2021, texto compilado (arts. 31, 64, 91 e 228; cópia publicada pela Cemig)
  2. ANEEL, micro e minigeração distribuída
  3. Lei nº 14.300/2022 (marco legal da micro e minigeração distribuída)
  4. Cenário Energia, Radar Solfácil: preço do Wp residencial no 1º trimestre de 2026
  5. CRESESB/CEPEL, SunData v3.0
  6. Inmetro, Portaria nº 140/2022 (equipamentos de sistemas fotovoltaicos), texto na Normas Brasil

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